Papel da mulher na sociedade contemporânea: aspectos psicológicos – por Anabelle Condé

Papel da mulher na sociedade contemporânea: aspectos psicológicos - por Anabelle Condé

Um breve panorama histórico pode esclarecer o que envolve o universo feminino a partir dos sentidos construídos nos discursos sociais. Foram séculos de repressão, de controle do comportamento feminino e de submissão. As mulheres que ousavam inovar e se libertar, chamadas de feministas, foram muitas vezes taxadas como loucas, masculinizadas ou invejosas da masculinidade do homem. O fato das mulheres terem evoluído e se inserido na sociedade cada vez mais, na minha visão, quer dizer que ainda poderemos evoluir muito.                       

Ao longo das últimas décadas, a mulher contemporânea vem acrescentando novas funções ao seu estilo de vida, assumindo, por exemplo, posições no mercado de trabalho, antes só ocupadas por homens. Influenciadas pelos movimentos feministas, pela economia, pela tecnologia e pela pílula anticoncepcional, que deu maior liberdade sexual às mulheres, elas passaram a protelar a maternidade e a exercer maior dedicação ao mundo do trabalho.

Atualmente, percebo no consultório mulheres hiperconectadas com seus smartphones, ansiosas e com a atenção fragmentada e dispersa. Em linhas gerais, se pudesse desenhar um retrato dessa mulher contemporânea, diria que estão muito mais independentes e que descobriram que não existe um roteiro pré-definido do que fazer com a própria vida. Há uma multiplicidade de papéis; mulher, mãe, esposa, filha, profissional, estudante, empreendedora, artista ou tudo isso ao mesmo tempo.

Há um excesso de tarefas e excesso de cobranças para a mulher contemporânea na tentativa de conciliação de maternidade e carreira, bem-estar e amor. É a época dos recasamentos e da maternidade tardia, devido à inserção no mercado de trabalho (maternidade como opção e não obrigação). Elas estão sexualmente mais livres, fugindo dos relacionamentos abusivos, mais conscientes delas mesmas, em busca de mais sororidade e menos julgamento. Entre aquelas que trabalham dentro e fora de casa podem sentir estresse e sofrimento por não conseguirem se dedicar tanto como “deveriam” a todos esses campos da vida. Muitas mães experimentam sentimento de culpa e de insuficiência por não conseguirem passar tanto tempo como gostariam com os filhos.         

Para uma mulher que concilia maternidade e carreira, a terapia é essencial para tratar os sintomas ansiosos ou depressivos advindos do esgotamento físico e mental. As mulheres precisam de uma boa dose de generosidade com elas mesmas, amor próprio, respeitar os próprios limites, cuidar da saúde do corpo e da mente. É importante desacelerar o ritmo para que possa criar algum tempo para si mesma; para estar para cuidar de tantas coisas, é preciso se cuidar primeiro.

Anabelle Condé é Psicóloga (IBMR) e Comunicóloga (PUC-Rio). Especialista com Pós-Graduação em Psicologia Clínica no Instituto Carioca de Gestalt-terapia, Extensão em Terapia Familiar no Esfera Espaço de Psicologia Integrada, realizando Extensão em Sexualidade Humana no Espaço Terapêutico Psi. Atuação clínica voltada para mulheres, autoestima, relacionamentos e casais. Ela atende no Bella às quintas-feiras. Para mais informações sobre consultas, entre em contato pelos telefones 2530-4779/2537-8980/99140-7211.
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